sábado, 1 de novembro de 2008

DISRRITMIAS VENTRICULARES

EXTRASÍSTOLES VENTRICULARES

As extra sístoles ventriculares ocorrem em todas as formas de doença cardíaca e são observadas na maioria dos doentes com enfarte do miocárdio. Surgem com frequência em indivíduos saudáveis e associadas a hábitos tabágicos, ingestão de álcool e café . Embora geralmente assintomáticas , quando frequentes, podem provocar palpitações .
As extra sístoles ventriculares são reconhecidas pelas seguintes características:
* O impulso é ectópico e surge no músculo ventricular , pelo que não existe onda P associada ;
* O impulso é transmitido através do músculo ventricular e não pela rede de Purkinge , pelo que , o complexo QRS apresenta uma morfologia diferente;
* Pelo facto do impulso não seguir pelas células especializadas da rede de Purkinge, mas sim por células do miocárdio , a transmissão é mais lenta e não se propaga a todo o músculo , surgindo-nos um complexo QRS alargado e uma onda T ampla ( visto que a repolarização destas células é mais lenta) ;
As extra sístoles ventriculares podem tornar-se potencialmente perigosas em determinadas situações :
* se surgirem uma em cada 10 (ou menos ) batimentos “normais”;
* se surgirem em grupos de 2 ou 3 , ou seja em “salvas”;
* se surgirem perto ou sobre a onda T, desencadeiam fibrilhação ventricular
* se surgirem com morfologia variada, sugerindo vários focos irritáveis no músculo ventricular.
Nestas situações as extra sístoles devem ser tratadas de imediato para que não desencadeiam ritmos ventriculares, sinal de isquémia do músculo.
O tratamento de eleição é com Lidocaína em bólus e depois manutenção com outros antiarritmicos . Deve ser efectuado despiste de situações que potencialmente possam desencadear este tipo de sintomatologia , como por exemplo , dor aguda, hipoxémia, hemorragia grave, hipovolémia, hipocaliémia e enfarte do miocárdio .

Existe uma situação em que as extra sístoles surgem como mecanismo de escape e protecção. Assim , se o doente apresentar uma bradicardia , por exemplo por isquémia pós enfarte, pode surgir um mecanismo de escape ventricular de forma a aumentar o número de batimentos e consequentemente o débito cardíaco. O tratamento não deverá ser a anulação destas extra sístoles mas a estimulação do nódulo auricular (com administração de Atropina) para aumentar a frequência cardíaca que será o suficiente para suspender o foco ventricular .

TAQUICARDIA VENTRICULAR

A taquicardia ventricular é uma das complicações mais frequente pós enfarte do miocárdio, aneurisma do ventrículo esquerdo , hipocaliémia grave e intoxicação por determinados fármacos.
Surge a partir de um foco ectópico localizado no músculo ventricular que transmite impulsos eléctricos que se sobrepõem ao impulso gerado no nódulo sinusal. Consiste pois num conjunto de extra sístoles ventriculares geradas por um mesmo foco, e tal como estas , a contracção não se realiza em todo o músculo mas só em determinada zona dos ventrículos. Surgem complexos QRS idênticos mas de morfologia anormal, mais amplos e ondas T também diferentes, e as ondas P , se visíveis não têm qualquer relação com estes complexos .
O tratamento deve ser imediato , pois esta arritmia é sinónimo de grave lesão cardíaca e têm repercussões Hemodinamicas imediatas por insuficiente débito circulatório. O tratamento , tal como nas extra sístoles consiste na administração de Lidocaína em bólus , Sulfato de Magnésio, antiarritmicos e disfibrilhação eléctrica.

TAQUICARDIA PAROXISTICA VENTRICULAR

A taquicardia paroxistica ventricular apresenta configuração semelhante à anterior , visto que surge também a partir de um foco ectópico ventricular, mas a diferença consiste em surgir de forma brusca e pode desaparecer abruptamente, voltando o doente a apresentar ritmo sinusal ou também evoluir para fibrilhação ventricular.
Costuma ocorrer em lesões isquémicas graves do ventrículo, e o seu tratamento é o mesmo da taquicardia ventricular.

FIBRILHAÇÃO VENTRICULAR

Tal como na fibrilhação auricular , a origem do estímulo surge de diferentes focos ectópicos, mas situados no ventrículo, dando origem a contracções múltiplas e simultâneas do músculo ventricular . Como não existe a contracção total dos ventrículos, não vai haver bombeamento do sangue para as grandes artérias, ou seja , há ausência de débito circulatório, e o doente, praticamente de imediato, apresenta perda de consciência e hipotensão grave .
O ECG é bizarro , não se reconhecendo complexos QRS, surgindo ondas de morfologia variada e amplas e sem ritmo reconhecido.
F OLHE PARA O DOENTE , PODE SER INTERFERÊNCIAS DO ECG

O tratamento deve ser imediato e com o objectivo de manter algum debito circulatório para irrigação cerebral e dos órgãos nobres, ou seja deverá ser realizada massagem cardíaca, o doente deve ser entubado e hiperventilado visto que também há paragem respiratória como consequência do baixo débito e deficiente aporte de oxigénio aos tecidos. Deve ser colocada de imediato via endovenosa, de preferência profunda e central e administração de drogas de urgência : Adrenalina , Cloreto de Cálcio , Bicarbonato de Sódio e administração de espansores de volume.
Iniciando-se a massagem cardíaca e se em poucos minutos o doente não apresentar ritmo próprio ou converter em ritmos ventriculares, deverá proceder-se a cardioversão eléctrica de alta voltagem alternando com massagem cardíaca .

2 comentários:

Lifepassenger disse...

Parabéns pelo bom Post.

Vera Carvalho disse...

Festas Felizes e um bom Ano de 2009; são os votos do Cogitare em Saúde...